Minha história, minha surdez.



Minha história, minha surdez...

Nasci perfeitamente saudável de parto normal e ouvinte. Com 2 meses de idade contraí uma meningite meningocócica e fui internada em estado muito grave. Fiquei 10 dias no hospital e ao ter alta meus pais foram informados da minha sequela auditiva ocasionada por antibióticos usados no meu tratamento. Logo após a alta já fui encaminhada para realização de exames para detecção do grau de surdez e tratamento adequado.

Na época minha família estava de mudança para uma cidade do interior, Nova Friburgo, onde eu viveria até o fim da minha adolescência. Foi uma decisão difícil para os meus pais e durante algum tempo precisei vir ao Rio muitas vezes para exames e acompanhamento médico.

Com 3 meses de idade fiz um exame chamado BERA que detectou Deficiência Auditiva Grave bilateral e indicado o uso de aparelho auditivo.

Os aparelhos auditivos naquela época eram caríssimos. Todos importados e há 33 anos atrás os preços eram absurdos. Minha família precisou da ajuda do meu avô materno, um irmão dele e um tio paterno para comprar o aparelho. Era uma pequena caixinha com dois fones que deveria ficar presa no meu corpo o dia inteiro. Minha avó materna era especialista em crochê e logo começou a fazer vários modelos de bolsinhas que ficavam presas no meu corpo. Tinha de todas as cores e modelos. 🥰

A partir daí começou um outro problema que era encontrar a fonoaudióloga que pudesse me acompanhar 2 vezes por semana. A cidade era pequena e não haviam fonoaudiólogas especializadas em deficiência auditiva. Foram algumas tentativas a partir dos meus quatro meses de idade, até que por fim uma escolheu me acompanhar e aprender comigo. Ela me acompanhou até os meus quinze anos quando tive alta do tratamento.

Essa fono defendia que eu ainda não deveria aprender libras, que deveria me esforçar primeiro para falar e me comunicar verbalmente. Na minha casa a maioria dos objetos tinha o nome escrito para que eu identificasse e falasse. Hoje sou grata por isso, pois sempre me comuniquei verbalmente e só passei a usar libras já adulta.

Sempre frequentei creches e escolas regulares e em todo lugar eu era a única surda. Precisava de suporte familiar, pedagógico, psicolológico e muitas outras coisas para conseguir acompanhar o ritmo da escola.

Mesmo com todas as dificuldades, consegui terminar o segundo grau e depois de muitas incertezas fiz vestibular e cursei administração.

Atualmente trabalho como bancária desde os 22 anos porque sempre quis ser independente. Em 2017 criei a página de finanças @poupecomestilo que tem como objetivo espalhar educação financeira inclusiva e bilíngue pelo Brasil todo. Sou casada com o Pedro, também surdo, estamos juntos há 10 anos e temos um filho ouvinte, o bonitão José Pedro. 🥰

Sou imensamente grata a Deus, a minha família e a todas as pessoas que passaram em minha vida. Foram eles que guiaram meus passos e me deram todo o suporte e amor que eu tanto precisava. ❤

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